Controle de Qualidade em Mamografia
Teste de controle de qualidade em aparelhos de Mamografia 1.1 Alinhamento entre o campo de raio X e o filme radiográfico Propósito: Garantir que o campo de raios X não se projete além das dimensões do filme radiográfico. Material:
Método: 1- Posicionar os dois chassis (um de frente para o outro); 2- Colocar o terceiro chassi no bucky; 3- Colocar os marcadores sobre os filmes de maneira a facilitar a leitura do resultado (alinhar as duas moedas á bandeja de compressão); 4- Realizar uma exposição com técnica manual: 28 Kv e 20 mAs; 5- Revelar os filmes e coloca-lós da mesma forma que foram expostos.
A- Arranjo do teste de alinhamento, entre o campo de raios X e o filme radiográfico.
ALINHAMENTO ENTRE O CAMPO DE RAIOS X E O RECEPTOR DE IMAGENS
Maurício de Oliveira - Núcleo de Vigilância Sanitária/NUVISA
Superintentendência Regional de Saúde de Uberaba - SES-MG
AVALIAÇÃO Os raios X devem cobrir todo o filme, mas não devem ultrapassar a bandeja de suporte da mama no lado da parede torácica em mais de 1% da distância foco-filme (DFF) e em mais de 2% da DFF nas laterais (esquerda ou direita), do filme. Se o campo de radiação excede a margem da parede torácica do filme em mais de 1% da DFF ou se o campos de radiação excede em mais de 2% da DTT as margens laterias (esquerda e direita) do receptor de imagem, deve ser solicitado ajuste.
Resultado
1.2 CONTROLE AUTOMATICO DE EXPOSIÇÃO Propósito: Garantir a constância do enegrecimento da mamografia para mamas de diversas espessuras. Material:
Método: 1- Com o controle automático de exposição ativado realizar exposições do simulador com as espessuras de 5cm, 4cm, 3cm, 2cm; 2- Usar o mesmo chassi nas 4 exposições; 3- Usar um identificador/ numerador para identificar as espessuras usadas; 4- Selecionar a técnica de 28 Kv e registrar os valores do produto corrente X tempo (mAs), para cada espessura. Caso o equipamento possua CEA totalmente automático, registra a tensão e o mAs escolhidos pelo equipamento. Caso o equipamento não possua o dispositivo para CEA, solicitar ao técnico que realizar os exames pra selecionar a técnica para cada espessura do simulador; 5- Revelar os filmes; 6- Medir e registrar a densidade ótica de fundo (DO) das 4 imagens.
AVALIAÇÃO Todas a s variações de densidade óticas devem estar compreendidas no intervalo de -+ 20% do valor da densidade ótica de referência (DO para a espessura de 5cm sendo desejáveis <-+10%)
1.3 FORÇA DE COMPRESSÃO
Propósito: Assegurar a compressão adequada da mama para o exame Matérial:
Método: 1- Colocar a toalha sobre o suporte da mama; (para evitar danos ao suporte); 2- Posicionar a balança sobre o suporte da mama; 3- Colocar uma toalha sobre a balança; 4- Acionar o pedal de compressão uma única vez, até que a maxíma compressão seja atingida e registrar o valor medido .
AVALIAÇÃO: O valor de compressão deve estar entre 11 a 18 Kg.
Arranjo do teste da força de compressão 1.4 ALINHAMENTO DA BANDEJA DE COMPRESSÃO Propósito: Garantir o alinhamento da bandeja de compressão da mama. Matérial:
Método: 1- Posicionar a espuma sobre o suporte da mama; 2- Acionar o pedal de compressão( não é necessário que atinja a compressão máxima); 3- Medir a distância entre o suporte da mama e os quatro vértices da bandeja de compressão; 4- Registrar as medidas. AVALIAÇÃO È permitida uma deformação mínima sendo aceitável 5mm no maxímo
Arranjo do teste de alinhamento da bandeja de compressão
1.5 TESTES DE CONTROLE DA QUALIDADE DOS SISTEMAS DE REGISTRO
Integridade dos chassis Próposito: Assegurar o contacto entre filme e a tela intensificadora dos chassis. Matérial:
Método: 1- Posicionar o chassi carregado sobre o suporte da mama; 2- Colocar o objeto de teste (malha) sobre o chassi e identificar o chassi; 3- Fazer a exposição usando técnica manual de 28 Kv e 20 mAs; 4- Revelar os filmes e colocar no negatóscopio para avaliação. AVALIAÇÃO Se permite a ocorrência de no máximo 5 áreas de fraco contato com 1 cm de diâmetro
Malha metálica e o resultado do teste de integridade dos chassis
1.6 TESTES DE CONTROLE DA QUALIDADE DAS IMAGENS RADIOGRÁFICAS ARTEFATOS E UNIFORMIDADE DA IMAGEM. Propósito: Garantir uniformidade da imagem e a ausência de artefatos. Matérial:
Método: Em condições adequadas de luminosidade, verificar a existência de artefatos e as condições de uniformidade da imagem. Avaliação: A imagem deve ter tons de cinza uniformes e estar isentas de artefatos.
LIMITES DE DEFINIÇÃO E CONTRASTE DE IMAGEM DO SIMULADOR MAMOGRÁFICO Propósito: Garantir que os limiares de definição e contraste de imagem estão sendo alcançados. Matérial:
Método 1- Em condições adequadas de luminosidade, contar o número de grades metálicas, grupos de microcalcificações, fibras, discos e massas observados na imagem e registrar os resultados. 2- Medir as densidades óticas nas cinco áreas de 1 cm de diâmetro que formam uma escala de tons de cinza, chamada de escala de alto contraste. 3- Com uma cópia do gráfico de calibração do phantom registrar, graficamente, registrar o valor de cada uma das cinco densidades óticas da escala de alto contraste no seu respectivo degrau. Traçar a reta que melhor ajusta os pontos e determinar a sua inclinação(indice de contraste).
AVALIAÇÃO O índice de contraste deve apresentar uma variação máxima compreendida no intervalo de -+ 10% do valor da calibração. Devem ser visualizados, no mínimo, 4 grades metálicas com definição, 7 discos de baixo contraste, 4 fibras, 4 grupos de microcalficicações e 4 massas tumorais. A não visualização destes objetos até os valores de referência, indica que há perda de definição e/ou contraste que deve ser identificada e corrigida. O mesmo deve ser feito caso o índice de contraste esteja fora dos limites de aceitação.
Limites de aceitação para a visualização dos objetos no teste phantom utilizados para a avaliação dos limiares de definição e contraste de imagem.
1.7 TESTES DE CONTROLE DE QUALIDADE DAS SALAS DE LAUDO LUMINAÇÃO DE NEGATOSCÓPIO Propósito: Verificar a luminância (brilho) do negastoscópio de mamografia, para assegurar as condições adequadas de visualização das imagens radiográficas. Material:
Fotômetro- Utilizado para medir a iluminação da sala de laudo e aluminância do negatoscópio
Método: 1- Desligue o negastoscópio e remova a janela com a chave de fenda. Verifique a lâmpada fluorescente, a voltagem correta e a descoloração da janela. Limpe ou troque se necessário. Quando terminar, coloque a janela no negatoscópio e parafuse; 2- Para medir o nível de luminância do negatoscópio, usa-se um fotômetro sendo a unidade recomendada "cd/m2 ; 3- Colocar o fotômetro a 22 cm de distância do negatoscópio com as luzes da sala apagada, ou nas condições de trabalho, fazer 3 medidas e tirar a média; 4- Para medir a uniformidade do negatoscópio deve-se dividir o negatoscópio em quatro quadrantes; 5- Fazer a leitura do centro do negatoscópio, e comparar com a leitura dos quadrantes.
AVALIAÇÃO O negatoscópio para prática mamográfica deve ter luminância em torno de 3500 cd/m2. A luminância de cada negatoscópio no hospital ( ou serviço ) deve ser comparada com outro negatoscópio, e não pode ter um desvio maior que +- 15%. O desvio da uniformidade do negatoscópio não deve ser superior que -+ 15%.
2.0 QUALIDADE NO PROCESSAMENTO
O comportamento diário do sistema de processamento pode ser medido por sensitometria. Neste método, um filme é exposto ao sensitômetro e em seguida revelado, produzindo-se assim uma escala graduada de tons de cinza com 21 degraus. A curva representativa das densidades óticas versus, os números dos degraus é chamada de curva característica do filme. Um método simples para controle de rotina da processadora consiste em monitorar a densidade ótica em três degrau da escala sensitométrica, sendo cada um correspondente a cada uma das três regiões que compõem a curva. Desta maneira, são obtidas informações pertinentes á qualidade do processamento.
Sensitômetro http://comptonconsultoria.com.br
Esses degraus são o seguinte;
Registro de testes: Densidade ótica do degrau de base + velamento - Valor padrão menor 0.23 (OD). Densidade ótica do degrau de velocidade - (Valor padrão 1,30 a 1,80 OD). Densidade ótica do degrau de contraste- (Valor padrão maior que 3,40 OD) RESÍDUO DE FIXADOR NO FILME REVELADO O teste de retenção de fixador permite estimar a quantidade retida de tiossulfato (hypo) no filme depois de processado. Esse teste deve ser feito trimestralmente. Alta quantidade de retenção de tiossulfato indica lavagem insuficiente do filme, tendo impacto na estabilidade e qualidade da imagem radiográfica do filme a curto e longo prazo. O procedimento de teste consiste: 1- Processar um filme sem ele ser exposto á radiação; 2- Colocar o filme processado em uma folha de papel branca; 3- Se usar um filme de emulsão simples colocar a emulsão para cima; 4- Trabalhar sob condições adequadas de iluminação (evitando brilhos de luz ou luz solar)de preferência na câmara escura. 5- Pingar uma gota da solução de retenção de tiossulfato, que deve ser colocada sobre a emulsão do filme, ( como mostra a imagem abaixo). A solução manchará uma área no filme depois de 2 minutos. Comparar a mancha que ficou no filme com tabela de cores do fabricante de retenção de tiossulfato, como no exemplo. È permitida uma quantidade de resíduo de fixador de até 2ug/cm2.
Teste de retenção de fixador, e comparação da mancha do filme formada pelo teste com a imagem de referência fornecida pelo fabricante.
CHASSIS E ECRANS
Cada chassi deverá ser identificado com a data do início de uso. A limpeza dos écrans deve ser realizada diariamente ( e sempre que for necessária), com auxílio de compressa cirúrgica limpa e seca. PRODUTOS QUÍMICOS PARA O PROCESSAMENTO Os produtos químicos para processamento (revelador e fixador) devem ser preparados semanalmente ou quinzenalmente, dependendo do volume de exames, segundo as instruções do fabricante para a proporção adequada. Recomenda-se não fazer uma quantidade maior para não haver oxidação da mistura. CÂMARA ESCURA A limpeza da câmara escura deve ser rigorosa, realizada diariamente, para evitar acúmulo de poeira. A vedação deve sempre ser verificada, e o filtro da lanterna de segurança deve ser específico para filmes sensíveis á luz verde. Material para limpeza da câmara escura:
ARTEFATOS Os artefatos em imagens mamográficas podem ter diversas origens e se apresentam principalmente como pontos, listras, manchas claras ou escuras ou regiões embaçadas na imagem. Mais de 90% dos artefatos são causados pelo próprio técnico , devido á manipulação inadequada dos filmes. Esse tipo de artefato ,causado por dobras,amassamento ou excesso de pressão sobre o filme durante a mamipulação, antes ou depois da revelação aparece na imagem como manchas claras ou escuras, em forma de meia-lua. O armazenamento incorreto das caixas de filmes, na posição horizontal, também é causa de artefatos ocasionados pela pressão. No caso de mamografia, um cuidao extra deve ser tomado no momento em que o chassi é carregado, pois o filme possui emulsão somente em um dos lados (o lado fosco) e a orientação correta do filme no chassi é fundamental para a produção de uma boa imagem. A eletricidade estática pode produzir artefatos em forma de árvore ou coroa, ou como pontos ou manchas na imagem radiográfica, causados por uma faísca, observadas em alguns casos durante a manipulação do filme. O uso periódico de substâncias antiestática para a limpeza dos ecrans e a manutenção do nível de umidade na câmara escura em torno de 50% podem auxiliar no controle desse problema. Danos no chassi também são causas constante de artefatos. Problemas como rachaduras ou amassamento na superficíe, danos nas dobradiças, ou nos fechos, e ar ou substâncias estranhas entre a superficíe do ecran e o filme prejudicama boa formação da imagem. O mal funcionamento da grade antidifusora proporciona uma imagem final gradeada, na qual podem ser observadas listras ocasionadas pela imobilidade ou movimento inadequado da grade. Artefatos causados por processadoras automáticas podem ter duas origens problemas nas soluções químicas ou problemas no transporte dos filmes. Rolos sujos causam marcas ou arranhões nos filmes, que se repetem de maneira sistemática, independentimente da posição em que o filme for inserido na processadora. Uma forma de se iniciar a investigação da origem dos artefatos consiste em revelar dois filmes expostos especificamente para este teste, ou seja filmes que não sejam de pacientes. De acordo com o desenho abaixo, um dos filme é inserido na bandeja e girado em 90º em relação ao outro. Se o artefato permanecer na mesma direção em ambos os filmes, isso indica que o artefato foi causado durante o processamento. Se a direção do artefato não permanecer na mesma direção em ambos os filmes, isso indica que a origem está associada ao equipamento de raios X ou um de seus componente ou pelo chassi radiográfico.
Figura A - Artefatos de processamento Figura B- Artefatos do equipamento de raio X Em A o artefato permanece na mesma direção em ambos os filmes e foi causado durante o processamento. Em B a direção do artefato não permanece na mesma direção em ambos os filmes, indicando que a origem está associada ao equipamento de raio X ou um de seus componentes ou pelo chassi radiográfico.
ANÁLISE DOS FILMES PERDIDOS
Os filmes perdidos devem ser guardados para avaliação. No final de cada mês os fimes são separados pelo tipo de erro (técnica inadequada, posicionamento incorreto, processadora com problema), sendo assim possível assim identificar a causa das perdas e tentar corrigi-lás, atuando na área específica- Exemplos: muitos filmes perdidos por erro de posicionamento, mostram a necessidade de reciclagem de pessoal, ou falta de atenção. Muitos filmes são perdidos por falhas de processamento, isso mostra que problemas com a processadora devem ser resolvidos (falta de limpeza, erro na preparação dos químicos, marcas de rolos, resíduos de químicos ,sub-revelação etc). A causa mais comum de perda de filme estão relacionada com paciente (movimento, biotipo), com a técnica ( posicionamento inadequado, identificação incorreta; com aparelho (grade), falta de regulagem do sitema de compressão, falta de constância do controle de exposição automático, artefatos de manuseio do filme (riscos ou marcas de dedo), velamento do filme, falta de limpeza dos chassis. Admite-se perda de até 5% dos filmes utilizados.
PERIODICIDADE DOS TESTES E ROTINAS
CAUSAS DE IRREGULARIDADES NO PROCESSAMENTO
ES- (escala sensitométrica) - DO (densidade ótica) Fonte complementar de pesquisa- http://www.mra.com.br/downloads/instrucoes_testes.pdf
Curiosidades em Mamografia
1. Como é o exame de mamografia de controle (quais os tipos de imagens feitas)? Que tipos de imagens são feitas para um exame de diagnóstico? 2. Qual a faixa de energias utilizadas num tubo de RX para mamografia? O que isso acarreta em termos da relação entre as correntes do filamento e tubo? 3. Quais as principais características do anodo de mamografia? 4. Sabendo que o FOV típico em mamografia é 24x30cm e a distância fonte-imagem (SID) é 65cm, qual deve ser a ordem do ângulo efetivo do anodo? O que é ângulo efetivo? Por que é importante que o ângulo do anodo seja pequeno? 5. Como é posicionada a mama em relação ao catodo e anodo? Por quê?
7. Quais são os materiais mais comumente usados para alvo em mamo? Por quê? 8. Por que costuma-se usar filtros de mesmo material do alvo? 9. Quais as combinações alvo/filtro mais usadas? 10. Quais as vantagens de se usar um alvo de tungstênio? Que filtros devem ser usados? Como é o espectro resultante comparado com os espectros mais comuns de molibdênio e ródio? 11. Do que depende a HVL em mamo? Por que a ANVISA coloca limites máximos e mínimos para este parâmetro? 12. Quais as principais diferenças entre um gerador para mamo e um para RX convencional? Qual é o tipo de gerador mais usado em mamo? 13. Qual a principal diferença no circuito de AEC (phototimer) usado em mamo (em relação ao convencional)?Como funciona um circuito AEC? Quais os parâmetros levados em conta por este circuito? 14. Por que é importante ter tempos de exposição “razoáveis” (nem muito curtos nem muito longos) em mamo? Como isso é conseguido? 15. Por que a compressão em mamo é tão importante? 16. O que é Bucky Factor? Qual é a ordem do Bucky factor para mamo? 17. Quais as vantagens da mamografia de magnificação? E as desvantagens (limites)? 18. Como se comparam a dose e ESE (exposição de entrada de pele) para mamo de contato e para mamo de magnificação? 19. Quais as diferenças (características físicas e de performance) do sistema cassete-tela-filme para mamo comparado ao sistema para RX convencional? 20. No que consiste o controle de qualidade para o processador de mamo? (Quais as ferramentas utilizadas, os índices que devem ser medidos, etc) 21. No que consiste a biópsia estereotáxica de mama? Qual é o FOV usado?
22. Quais as principais vantagens da mamografia digital de campo completo? E as principais desvantagens? Qual é a ordem de resolução espacial (para FOV 18x24cm) e de escala de cinza necessárias? Justifique. 23. Do que depende (fator de conversão ESSE para dose média glandular)? 24. O que é phantom de mamo? Quais as suas funções? 25. Qual é a composição do phantom de mamo? 26. Quais as exigências de controle de qualidade sobre a imagem do phantom? 27. Quais são os testes de CQ que devem ser realizados pelo técnico com freqüência: a) diária, b) semanal, c) quinzenal, d) semestral. E quais são os testes anuais a serem realizados pelo físico?
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